Londres, oito e quarenta e cinco da noite. O relógio de carrilhão do Reform Club soa com precisão britânica. Ficção,fantasia ou verdade? Responda você também. Phileas Fogg ajeita o sobretudo de viagem, confere os maços de notas guardados na bolsa de couro e encara os cavalheiros à mesa de uísque. Vinte mil libras em jogo. O desafio: contornar o globo terrestre e pisar naquele mesmo assoalho em exatamente oitenta dias.Parecia delírio ficcional saído da pena febril de Júlio Verne. Mas havia um detalhe crucial: Verne não inventou a máquina. Ele apenas enxergou o que a engenharia do século XIX acabava de parir. Naquele exato ano de 1872, três colossos de aço e terra haviam se conectado: a ferrovia transcontinental norte-americana, a linha ferroviária que cortava a Índia de costa a costa e a abertura do Canal de Suez. O planeta, antes um abismo intransponível de meses à vela, dobrava-se diante da queima do carvão e do vapor sob pressão.Fogg não viajou no tempo. Ele viajou nos trilhos d...
Laboratório de ficção científica brasileira e educação: nióbio, arqueologia amazônica, Sertãopunk e método científico separando o que a ciência sabe do que a ficção imagina.